domingo, 30 de dezembro de 2012

FSP, convidada vip no casamento do Cacheira


A Folha de São Paulo (aquela que emprestava carros para a ditadura, a mesma que disse que como no Brasil morreram poucos, o que houve aqui foi uma 'ditabranda') trata Carlinhos Cachoeira por 'empresário'. O cara é bandido, gangster, mafioso. Por respeito aos nossos muitos empresários sérios que temos no Brasil acho uma falta de respeito. Temos que dar o nome certo às coisas.

Pois bem, esse esgoto em forma de jornal mandou um 'enviado especial' para cobrir o casamento do mafioso (que nas pgs do panfleto é chamado, repito, de empresário). A matéria é podre, trato o gangster como coitadinho e dá destaque à grife do sapato usado pela noiva (aquela q ameaçou um juiz federal de que se não soltasse o mafioso ela faria seu comparsa, o Policarpo Jr, publicar podres seus na Veja, órgão no qual o mafioso manda e desmanda).

Certa tá a Folha. Certa tá a Veja. Temos que ajudar quem sempre esteve ao nosso lado. Errado estou eu: do esgoto só sai...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pinheirinhos: o jeito tucano de governar

Galera, é muito importante a divulgação do vídeo abaixo.

O pessoal do CAMARÁ Comunicação Popular produziu um excelente material sobre Pinheirinhos, São José dos Campos SP.

Dizer que são imagens e depoimentos que não passarão na Globosta, SBTrevas etc. é o mínimo. Eu tô falando do projeto tucano de gestão em áudio e vídeo.

Gases lacrimogêneo e de pimenta, tiros do borracha e normais. O braço armado do Estado agindo no limite da ilegalidade (como os tucanos adoram esse linear) com soldados não identificados.

Para termos noção da barbaridade e da truculência cometidas, na invasão da Rocinha para implantação da UPP, foram mobilizados 3 mil soldados contra centenas de traficantes armados em um terreno irregular e labiríntico. O governador Geraldo Alkmin mobilizou 2 mil soldados igualmente equipados com blindados e apoiados por helicópteros para desalojar 6 mil pessoas desarmadas. Permitam-me dizer de outra forma, o PSDB orquestrou uma operação que tinha a seguinte matemática: 1 soldado com pistola, cassetete, fuzil, capacete, escudo reluzente e toda a parafernalha para cada três cidadãos (sabe-se lá quantos destes eram crianças ou idosos).

Especulação imobiliária, relações suspeitas entre tucanos no judiciário e executivos regionais, um bandido do porte de Naji Najas, falta de projeto para o Brasil, inexistência de uma agenda, futuro eleitoral tenebroso e o medo de que o governo federal resolvesse tudo de forma pacífica (assim como no caso da desocupação da Cracolândia). Junte tudo e temos o explosivo vídeo a seguir.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Quem prejudica os Correios?

Vejam o Informativo da CNB-Correios/RJ sobre a greve.

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Quem prejudica os Correios?

Não há como negar: vivemos momentos tensos na nossa campanha salarial. Certamente, é a campanha mais tensa dos últimos anos. Havia anos que os dias não eram descontados no salário. Em outras greves, como a dos trinta por cento, em 2008, houve desconto em regime de banco de horas. Desta vez não, a empresa rodou a folha antecipadamente já descontando os dias parados, coagiu trabalhadores de outras áreas a triar e distribuir correspondências, além de se suspender unilateralmente as negociações. Na versão da empresa, o movimento paredista dá prejuízos à empresa. Temos cá nossas dúvidas.

O fato da empresa ter se retirado da mesa de negociação e não apresentar uma proposta razoável é o maior responsável pela duração da greve por tanto tempo. Quanto mais dura a greve, mais correspondências atrasam, mais clientes vão para a concorrência (fato que eles colocam na conta do movimento paredista em explicita inversão das coisas), mais indenizações são pagas. Dinheiro indo pro ralo. O fato de a empresa já ter descontados os dias fere o parágrafo único do artigo 17 da lei de greve que "assegura aos trabalhadores o direito à percepção dos salários durante o período de paralisação". Sobre isso, a Justiça do Trabalho em João Pessoa já se pronunciou: a ECT não deve "efetuar descontos junto ao salário dos trabalhadores em razão da greve, refazendo as folhas de pagamento a fim de que sejam desfeitos os descontos ilegais, sob pena de multa R$ 300.000,00 ao fundo de amparo ao trabalhador". Esperamos que outros sindicatos e que a FENTECT entrem com ações semelhante para que trabalhadores do Brasil inteiro não sejam lesados com o desconto. Quantos trabalhadores entrarão com ação contra a ECT por assédio moral? Quanto a ECT poderá pagar por isso? Mais dinheiro indo pelo ralo.

Devemos acrescentar ao prejuízo causado aos cofres da nossa empresa a atitude irresponsável e ilegal da direção com o seu plano de contingência. Como não houve adesão expressiva de voluntários para liberar os pátios dos centros de operacionais do Brasil inteiro, a empresa resolveu usar da coerção: ordenou que todos os trabalhadores com salário singular, FAT (funçao de apoio técnico) ou função de confiança trabalhar na operacional durante o fim de semana. Quantos processos por desvio de função aparecerão? Quanto está custando botar todos os chefes de seção, ACOMs, CVEs, Sub-gerentes, gerentes, inspetores, instrutores, coordenadores regionais, assessores e sei lá mais quem para trabalhar ganhando 200%? Mais dinheiro que não necessitava ser gasto.

Os trabalhadores organizados não desejavam de antemão a greve. Preferíamos estar no nosso cotidiano normal. Mas a empresa não nos deu outra opção. Nós paramos nossas atividades para benefício de todos os trabalhadores e familiares. O que o movimento paredista conquistar será para todos. Por isso, achamos leviano a direção da ECT querer colocar os trabalhadores uns contra os outros.

Chamamos cada trabalhador dos Correios a refletir sobre o foi exposto. Reflita e chegue a sua conclusão sobre quem está jogando dinheiro de nossa empresa, gerado pelo nosso suor, pelo ralo por irresponsabilidade. Se você não estiver em greve e recebeu esta mensagem, espero que olhe com outros olhos para a luta que é de todos nós. Nenhum dos nossos benefícios foi dado pela empresa, todos foram conquistados na luta. E é na luta que faremos a ECT nos ouvir e apresentar uma proposta que chegue mais perto de nossas reivindicações.

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PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 13ª REGIÃO
2ª VARA DO TRABALHO DE JOÃO PESSOA
GABINETE DO JUIZ
Ação Civil Pública: 0102000-07.2011.5.13.0002
Autor: SINDICATO DOS TRABALHADORES DA ECT NA PARAIBA EMPREITEIRAS E SIMILARES
Advogado do Autor: DANIEL ALVES DE SOUSA
Réu: EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA
S E N T E N Ç A
Em sede de Ação Civil Pública, o sindicato demandante requer a antecipação dos efeitos da
tutela, fulcrado no artigo 273 do CPC, lastreando o pedido com farta documentação, dentre as quais
vislumbra-se a publicação(seq.02 e seguintes) de documento no qual textualmente – de forma clara e em
linguagem acessível, “informa” fomenta e fustiga esvaziar o movimento paredista deflagrado pelos
trabalhadores empregados da empresa demandada, mediante grave ameaça de se proceder a descontos,
perda de direito ao vale alimentação, vale transporte, assim como, descontos dos dias parados.
Os documentos trazidos ao juízo constituem prova inequívoca da existência de manifesta
intenção por parte da demandada, de imprimir ações – ainda que ilegais e com possibilidade objetiva de
acarretar danos irreversíveis aos trabalhadores, tudo com o fito de abortar o exercício pleno do Direito de
Greve; um direito social, fundamental por natureza, constitucionalmente previsto – Constituição Federal de
1988 (Título II), e devidamente regulamentado na Lei nº 7.783, de 28 de junho de 1989.
A busca incessante por melhores salários, por melhores condições de trabalho estão
associados intrinsecamente ao Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana(artigo 1º, III) da
Constituição Federal vigente.
Além da demonstração clara da violação injustificada da Constituição Federal e da legislação
vigente pertinente, vislumbra-se a iminência de se acarretar danos materiais e morais ao conjunto dos
trabalhadores, em face das ações e atitudes desmedidas praticadas pela empresa demandada, porquanto
os salários afiguram-se víveres, não podendo portanto, sofrer qualquer tipo ou espécie de descontos e/ou
retenção, como no caso SUB JUDICE.
Preenchidos os requisitos estampados no art. 273, I, do CPC, assim como ao que prescreve a
Lei nº 7.783/1989, antecipo os efeitos da tutela de mérito, e defiro o pedido constante do sequencial 01 –
página 11 – letra A,- peça inicial, e determino a demandada EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E
TELÉGRAFOS- ECT, se abstenha de efetuar descontos junto ao salário dos trabalhadores em razão
da greve, refazendo as folhas de pagamento a fim de que sejam desfeitos os descontos ilegais, sob
pena de multa R$ 300.000,00 ao fundo de amparo ao trabalhador, de conformidade com o “caput” do
art. 461, bem como os parágrafos 3º e 4º do mesmo dispositivo do CPC, sem prejuízo das
ASSINADO ELETRONICAMENTE PELA JUÍZA ANDREA LONGOBARDI ASQUINI (Lei 11.419/2006)
EM 23/09/2011 12:29:57 (Hora Local) - Autenticação da Assinatura: A004C31277.2125E714E5.9699919BF1.FDE17802A6
Confira a autenticidade deste documento em http://www.trt13.jus.br/validardocumento
Identificador de autenticação: 0102000.2011.002.65480 Seq. 9 - p. 1 de 2
PODER JUDICIÁRIO
JUSTIÇA DO TRABALHO
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO – 13ª REGIÃO
2ª VARA DO TRABALHO DE JOÃO PESSOA
GABINETE DO JUIZ
cominações penais por crime de desobediência; Caso já tenha ocorrido o desconto quando da
apreciação do presente pedido, que seja determinada a devolução imediata dos valores
descontados, pelas mesmas razões acima descritas. Expeça-se mandado, com urgência.
Ciência às partes.
João Pessoa, 23 de setembro de 2011
Andre Longobardi Asquini
Juíza do Trabalho em Exercício
ASSINADO ELETRONICAMENTE PELA JUÍZA ANDREA LONGOBARDI ASQUINI (Lei 11.419/2006)
EM 23/09/2011 12:29:57 (Hora Local) - Autenticação da Assinatura: A004C31277.2125E714E5.9699919BF1.FDE17802A6
Confira a autenticidade deste documento em http://www.trt13.jus.br/validardocumento
Identificador de autenticação: 0102000.2011.002.65480 Seq. 9 - p. 2 de 2


SINTECT-RJ ganha na justiça suspensão dos descontos dos dias parados

Tirado do sítio do Sintect-RJ.


A justiça julgou procedente o pedido do Sindicato e deu a liminar que suspende o desconto dos dias parados. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho, 1º Região, 46º Vara do Trabalho do Rio de Janeiro nesta terça-feira (27).
Essa foi mais uma conquista dos trabalhadores em greve contra a intransigência da direção da ECT. A decisão da justiça manda ainda que a ECT faça a devolução imediata dos valores descontados, sob pena de multa de R$ 300 mil.
Segundo o secretário-geral, Ronaldão, mais uma vez, após esse julgamento, fica claro que a melhor maneira de avançar nesta campanha salarial é o diálogo, a negociação e a transparência, ao contrário do que a ECT vem praticando, usando da truculência e da arbitrariedade contra os trabalhadores.

Clique AQUI e veja a liminar da justiça.

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Fiquei sabendo que a folha de pagamento já está sendo rodada novamente. Uma vitória para nosso movimento.

Nota da Fentect sobre a greve dos Correios

Nota sobre a Greve dos Correios

A campanha salarial dos trabalhadores dos Correios teve início no dia 12 de julho, quando a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos – FENTECT protocolou a Pauta Nacional de Reivindicações na ECT. Foram mais de 60 dias de diálogo, tempo suficiente para que a direção da empresa apresentasse uma proposta condizente com a realidade da categoria.

Hoje a ECT é a estatal que paga os piores salários, seja para os cargos de nível básico, técnico ou mesmo superior. Em conjunto com os baixos salários, a categoria tem sofrido com a falta de funcionários. Desde 2009 a ECT não realiza contratações. Essas duas situações permitiram que, mesmo com esta realidade adversa aos trabalhadores, os Correios conseguisse altos índices de produtividade e lucratividade.

Porém, da mesma forma que o lucro e a produtividade cresceram, a quantidade de trabalhadores afastados por doenças do trabalho, conseqüência do excesso de serviço, também cresceu. Conseqüentemente a qualidade do serviço foi afetada e, em nenhum momento a direção dos Correios dialogou com os trabalhadores ou população no sentido de esclarecer os motivos da queda na qualidade da prestação dos serviços postais.

A FENTECT sempre esteve disposta a negociar, mas também exige respeito aos trabalhadores. Houve tempo suficiente para a direção da ECT apresentar uma proposta que contemplasse a categoria. Os trabalhadores não vão mais aceitar o discurso de que as negociações só irão retornar com a volta ao trabalho. A categoria acreditou nessa história uma vez e o concurso que estava previsto para dezembro de 2009 só está sendo concretizado quase 2 anos depois. Queremos negociações imediatas.

Os trabalhadores que estão em greve ficaram revoltados com as declarações do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e do presidente da ECT, Wagner Pinheiro. A categoria exige mais respeito, pois cada um que está na greve busca uma vida digna e honesta. Grevista não está de férias, está lutando por seus direitos. Estranho é verificar que, tanto Paulo Bernardo quanto Wagner Pinheiro, fizeram suas carreiras políticas realizando greves, e agora resolvem fazer um julgamento tão equivocado sobre os trabalhadores grevistas.

Diante do exposto, o posicionamento da FENTECT neste momento é pela continuidade e fortalecimento da nossa GREVE por entender que ela é nosso maior poder de negociação.


José Rivaldo da Silva

Secretário Geral FENTECT

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Quando o lucro é mais importante que salvar vidas

Natalia Viana, em parceria com CartaCapital, veiculam o conteúdo do WikiLeaks em primeira mão no blog CartaCapital/WikiLeaks.

Dei uma bisbilhotada lá e encontrei coisa interessantes. Pretendo reproduzir algumas coisas que forem postadas lá.

A primeira é sobre o lobby a favor das patentes de remédios. Como podemos ver, para a sanha por lucro, até doentes são nicho de mercado.

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Embaixada fez lobby em nome das indústrias farmacêuticas
Posted on 16/12/2010
by Natalia Viana

Hoje o WikiLeaks disponibilizou no seu site documentos que contam como fucniona o lobby americano para proteger as patentes das empresas americanas. Os documentos podem ser vistos neste link.

Os telegramas mostram como os diplomatas atuavam para influenciar entidades brasileiras – em especial a Confederação Nacional das Indústrias – para evitar que a quebra de patentes de remédios anti-HIV se propagassem para outros medicamentos e produtos.

O temor da indústria americana fica claro por exemplo em um telegrama enviado em 26 de setembro de 2003, pouco depois que o governo assinou um decreto que permitia o licenciamento compulsório de remédios se houvesse uma emergência.

Nele, o diplomata Richard Verdin relata o que chama de “um crescente sentimento antipatentes no Brasil”.

O Brasil é mantido em uma lista “de alerta” (Spcial 301 Review) do governo americano sobre pirataria e respeito à proriedade intelectual. Os EUA tinham claramente um enorme receio quanto ao Governo Lula – que chegou a quebrar uma patente apenas, de um medicamento antiretoviral.

“Mais atenção para problemas de propriedade intelectual, especialmente na área de direitos de copyright, deve acontecer durante o novo governo Lula”, diz um telegrama de 2 de março de 2003. “É muito cedo para avaliar o compromisso do novo governo”.

“Manter o estatus do Brasil na lista Special 301 será o equilíbrio ideal entre o reconhecimento de uma tradição ruim em termos de respeito à propriedade intelectual, a esperança que o novo governo atue contra isso e o reforço da mensagem de que a propriedade intelctual continua sendo prioridade na nossa agenda bilateral”, conclui o documento.

A indústria farmacêutica americana não gostou nada da quebra da patente do medicamento anti-HIV Efavirenz, produzidos nos EUA e usado no combate à AIDS, em setembro de 2007.

Desde 2004 o embaixador John Danilovich se encontrava com diversos representantes do Itamaraty, como mostra um telegrama enviado em 10 de junho de 2005.

“No dia 10, o embaixador se reuniu com Clodoaldo Hugueney, subsecretário do Itamatary para Assuntos Econômicos e Tecnolóigicos, para discutir uma série de assuntos, principalmente a legislação que impediria a patente de medicamentos contra a AIDS, e a constante ameaça da licença compulsória contra as empresasa americanas Gilead Sciences, Abbott Laboratories, e Merck, Sharp & Dohme em relação aos seus medicamentos para AIDS”.

O telegrama revela que o embaixador estava pressionando pela mudança do projeto de lei.

“Quando perguntado pelo embaixador se um acordo entre o Ministério da Saúde e as empresas farnacêuticas poderia efetivamente matar a legislação sobre a patenteabilidade dos medicamentos contra a AIDS, Hugueney se esquivou de dar uma resposa definitiva, mas disse que via uma ligação entre os dois temas”.

Em outro telegrama, de 21 de agosto de 2009, a diplomata Lisa Kubiske avaliou que a “resistência do Itamaraty parece ser motivada pelo desejo de o Brasil assumir a liderança entre as nações em desenvolvimento e a crença política (liderada pelo Ministério da Saúde) de que as patentes farmacêuticas contrariam o interesse público, ao limitar o acesso aos medicamentos”.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Stiglitz: Ou mandamos os banqueiros para a prisão, ou a economia não vai se recuperar"

Extraído da Carta Maior.


Stiglitz: Ou mandamos os banqueiros para a prisão, ou a economia não vai se recuperar"

Como não se cansaram de repetir o economista James Galbraith e o economista e penalista William Black, não podemos resolver a crise econômica, a menos que ponhamos na cadeia os delinquentes que cometeram atos fraudulentos. E o ganhador do prêmio Nobel de Economia, George Akerlof demonstrou que a negligência em castigar os delinquentes de colarinho branco e, a fortiori, resgatá-los, cria incentivos para que se cometam mais delitos econômicos e para que se proceda a uma destruição futura da economia. Outro Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, acaba de dizer a mesma coisa.

Joseph Stiglitz - SinPermiso

No dia 20 de novembro, Stiglitz declarou o que se segue ao Yahoo’s Daily Finance:

É um assunto realmente importante e nossa sociedade deve compreender cabalmente. Supõe-se que o sistema jurídico é a codificação de nossas normas e de nossas crenças, do que temos de fazer para que nosso sistema funcione. Se se percebe o caráter explorador em nosso sistema jurídico, então a confiança em todo o sistema começa a erodir. E esse é na verdade o problema que temos agora.

Uma multidão de práticas predatórias estão em vias de continuar como se nada tivesse ocorrido no sistema de crédito para a compra de automóveis. Por que está tudo bem para os maus empréstimos no setor automobilístico e não no mercado hipotecário? Há alguma razão de princípio? Todos sabemos a resposta: não. Não há razões de princípio, há razões de dinheiro. São as contribuições para as campanhas eleitorais, a troca de favores, as portas giratórias entre a política e os negócios, todas essas coisas.

O sistema está neste momento desenhado para estimular esse tipo de prática, apesar das multas [a referência é o ex-executivo da Countrywide, Angelo Mozillo, que acaba de pagar 10 milhões de dólares de multa, uma ínfima parte do que ganhou fradulentamente, porque ganhou centenas de milhões de dólares].

Conheço muita gente que diz: é um escândalo que tenhamos tido mais supervisão, controle e prestação de contas nos anos 80, quando se deu a crise de crédito e o arrocho, do que agora. Sim, aplicamos multas neles. E qual é a grande lição que se tira disso? Comporta-te mal, e o governo ficará com 5% ou 10% dos lucros mal havidos, que estarás muito tranquilo em casa, com várias centenas de milhões de dólares que ainda restarão para ti, depois de pagares umas multas que parecem enormes, mas que na verdade são muito pequenas em relação à quantidade de dinheiro que conseguiste embolsar.

O sistema está configurado de tal modo, que mesmo que te peguem, o castigo é apenas uma ínfima parte do que levas para a tua casa. A multa é apenas um custo a mais do negócio. É como uma multa de estacionamento. Às vezes decides estacionar mal sabendo que levarás uma multa, porque começar a dar voltas ao redor do estacionamento leva muito tempo.

Eu acredito que deveríamos fazer o que fizemos nos anos 80, com a crise de crédito e o com o arrocho, e pôr na cadeia um bom número destes tipos. Acredito nisso absolutamente. Não são apenas delitos de colarinho branco, ou pequenos incidentes. Há vítimas reais. É disso que se trata. Houve vítimas no mundo inteiro.

Ou acreditamos que esses tipos que nos meteram no atual estado de coisas mudaram realmente de atitude? Muito pelo contrário. Escutei alguns discursos que diziam: “Na verdade, não fez nada de realmente errado. Não fizemos as coisas muito bem. Mas nossa compreensão desses assuntos é bastante razoável”. Se pensam de verdade isso, estamos numa confusão realmente tremenda.

[A dissuasão do delito] tem aspectos distintos. Os economistas se concentram inteiramente na ideia dos incentivos. Às vezes as pessoas têm incentivos para se comportarem mal, porque podem ganhar mais dinheiro se dão calote ou se metem em atividades fraudulentas. Se queremos que nosso sistema econômico funcione, temos de nos assegurar de que nosso sistema econômico funcione, temos de nos assegurar de que o ganho com a fraude seja anulado pelo sistema de castigos e multas.

Por isso, no caso de nossa legislação anti-oligopólica, amiúde não detemos as pessoas quando elas se comportam mal, mas quando o fazem e podemos dizer que há danos constatáveis. Então, pagam três vezes o dano que causaram. É uma forma muito radical de dissuasão.

Desgraçadamente, o que estamos fazendo agora no caso desses delitos financeiros recentes são muitas frações – frações! – do dano direto causado, e uma fração ainda menor do dano social total. Quer dizer, o setor financeiro levou verdadeiramente o a economia global à bancarrota, e se levarmos em conta todos os danos colaterais, estamos falando já realmente de bilhões de dólares.

Mas se pode falar num sentido ainda mais amplo de dano colateral, ao qual não se tem prestado atenção. É a confiança em nosso sistema jurídico, no império da lei e do Estado de Direito, em nosso sistema de justiça. Quando se faz o Juramento de Lealdade [constitucional nos EUA], diz-se “justiça para todos”. Pois bem: as pessoas não têm segurança de que tenhamos justiça para todos. Alguns são detidos por algum delito menor de droga, e dão com os ossos no cárcere por muito tempo; mas quando se trata dos chamados delitos do colarinho branco, que não deixam de ter vítimas, quase nenhum dos sujeitos que os perpetram acaba atrás das grades.

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Permita-me um outro exemplo que ilustra até que ponto nosso sistema jurídico descarrilhou, contribuindo para a crise financeira.

Em 2005 aprovamos uma reforma do processo de falência. Foi uma reforma defendida pelos bancos. Foi concebida para permitir legalmente o empréstimo – o mal empréstimo – a pessoas que não entendiam do assunto e basicamente destinada a estrangulá-las. A espoliá-las. E poderíamos tê-la chamado com justiça de “a nova lei de servidão permanente”. Porque é o que era, na realidade.

Permita-me que conte brevemente o quanto má era essa reforma. Não acredito que os estadunidenses entendam até que ponto era tão má. Ela realmente torna muito difícil que as pessoas consigam liberarem-se da dívida. O princípio básico nos EUA do passado era as pessoas terem o direito de começar bem a vida. As pessoas cometem erros. Especialmente quando são presas de espólio. E então têm direito a voltar a começar bem. Apaga-se a conta e se começa uma nova. Paga o que pode e volta a começar. Agora, se o fazes mais de uma vez, então é outra coisa. Mas ao menos, enquanto andam soltos esses emprestadores predadores, deverias conservar o direito de voltar a começar sem encargos.

No entanto, os bancos dizem: “Não, não e não; não podes liberar-te de tua dívida”, ou não podes livrar-te dela tão facilmente.

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Essa é a servidão permanente. E criticamos os outros países por permitirem esse tipo de servidão duradoura, o trabalho escravo. Mas nos EUA instituímos isso em 2005, sem sequer promover um debate público sobre as consequências. O que essa lei fez foi animar os bancos a realizarem empréstimos ainda piores.

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Os bancos pretendem que acreditemos que não fizeram empréstimos ruins. Negam-se a aceitar a realidade. É um fato que alteraram os critérios contábeis, de modo que os empréstimos prejudicados pela incapacidade dos devedores de pagarem o que devem se contabiliza da mesma maneira que as hipotecas que são pagas em bom prazo e sem mora.

De modo que toda a estratégia dos bancos consistiu em esconder as perdas, seguir enganando e em conseguir fazer com que o governo mantenha os taxas de juros realmente baixas.

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Resultado: se toleramos essa estratégia, terá de se passar muito tempo antes que a economia se recupere.

Tradução: Katarina Peixoto